Precificação e Margem
Análise de Custos e Ponto de Equilíbrio
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Guia do Simulador de Precificação e Margem de Lucro
Para que serve
O simulador ajuda a descobrir quanto cobrar por um serviço sem chute. Ele junta três coisas: o que custa manter o negócio aberto no mês, quantas horas você consegue de fato vender e o que cada serviço consome de tempo, material e imposto. Com isso, mostra o Piso Aceitável, o menor preço que não dá prejuízo, e a margem que sobra no preço que você quer cobrar.
Serve para quem vende serviço por hora ou por trabalho: técnicos, profissionais liberais, pequenas oficinas, estúdios e consultórios. É útil tanto para montar a primeira tabela de preços quanto para descobrir se um preço antigo ainda se paga depois que os custos subiram.
Como a conta é feita
A conta segue seis passos, nesta ordem:
- Custos fixos do mês: aluguel, energia, internet, contador, softwares, salários da equipe e o seu pró-labore, somados.
- Horas faturáveis = dias úteis × horas por dia × (1 − ociosidade). A ociosidade é a parte do tempo que não vira serviço vendido: orçamento, deslocamento, administração, espera.
- Custo fixo por hora = custos fixos ÷ horas faturáveis.
- Custo base do serviço = custo fixo por hora × horas do serviço + materiais diretos + deslocamento.
- Piso Aceitável = custo base ÷ (1 − alíquota de imposto). O imposto é calculado "por dentro": incide sobre o preço final, como acontece na nota fiscal, e não sobre o custo.
- Lucro líquido = preço × (1 − alíquota) − custo base. A margem real é o lucro líquido dividido pelo preço.
Exemplo com números
Um técnico de ar-condicionado tem R$ 4.400,00 de custos fixos por mês: R$ 800,00 de aluguel, R$ 150,00 de energia, R$ 100,00 de internet, R$ 250,00 de contador, R$ 100,00 de softwares e R$ 3.000,00 de pró-labore. Ele trabalha 22 dias por mês, 8 horas por dia, e calcula que 20% do tempo vai em orçamento e deslocamento. Sobram 140,8 horas faturáveis, e cada hora custa R$ 31,25 só para manter o negócio aberto.
Uma manutenção leva 3 horas, usa R$ 40,00 de material e R$ 20,00 de deslocamento. O custo base é de R$ 153,75 (3 × R$ 31,25 + R$ 40,00 + R$ 20,00). Com 6% de imposto sobre a nota, o Piso Aceitável é de R$ 163,56.
Cobrando R$ 250,00, o imposto leva R$ 15,00, sobram R$ 81,25 de lucro líquido e a margem real é de 32,5%. É uma margem saudável: dá para absorver um atraso, uma peça que quebrou ou um mês mais fraco.
Como ler o resultado
- Preço abaixo do piso: aparece um aviso, e cada serviço vendido nesse preço dá prejuízo. No exemplo, cobrar R$ 150,00 deixaria R$ 12,75 de prejuízo por manutenção, uma margem de -8,5%.
- Margem entre 0% e 20%: aparece o aviso de margem apertada. O serviço se paga, mas sobra pouco para imprevistos, investimento e crescimento.
- Margem a partir de 20%: a faixa que a ferramenta considera saudável.
- Custo fixo por hora: é o número que mais ajuda no dia a dia. Todo serviço precisa cobrir, no mínimo, esse valor por hora trabalhada, além do material e do deslocamento.
Erros comuns
- Deixar o pró-labore de fora. Se o seu salário não entra nos custos fixos, o preço só paga as contas da empresa, e você trabalha de graça.
- Contar todas as horas como vendáveis. Ninguém fatura todas as horas do mês. Com ociosidade zero, o custo por hora fica baixo demais, e o preço também.
- Calcular o imposto "por fora". Somar 6% ao custo não é o mesmo que reservar 6% do preço. No exemplo, R$ 153,75 + 6% dá R$ 162,98, e esse preço ainda daria prejuízo, porque fica abaixo do piso de R$ 163,56.
- Esquecer custos que aparecem só às vezes. Estacionamento, pedágio, peça de reposição e taxa de entrega também saem do bolso. Use o campo de deslocamento e extras.
Perguntas frequentes
- Qual alíquota de imposto devo usar?
- A que incide sobre a sua nota fiscal. No MEI, o imposto é um valor fixo por mês: você pode somá-lo aos custos fixos e deixar o campo de imposto em zero. No Simples Nacional, a alíquota depende da atividade e do faturamento. Confirme o seu número com o contador.
- Quanto de ociosidade é razoável?
- Depende da sua rotina. Anote, por uma ou duas semanas, quantas horas foram de serviço vendido e quantas foram de outras tarefas. O simulador começa com 20%, mas o seu número real é o que vale.
- O simulador serve para quem vende produto?
- Ele foi pensado para serviço, em que o tempo é o principal custo. Para produto feito por você, use as horas de produção e coloque o custo da mercadoria em materiais diretos.
- Preciso refazer a conta todo mês?
- Sempre que um custo fixo mudar ou o tempo de um serviço mudar. Um aumento de aluguel ou uma contratação muda o custo de cada hora, e com ele o piso de todos os serviços.
- E se eu não tiver um preço em mente?
- Comece pelo Piso Aceitável e some a margem que você quer. Depois teste o preço no campo de quanto deseja cobrar e veja se a margem real chega aonde você esperava.
- Os dados ficam salvos?
- Ficam salvos só no seu navegador, para você continuar de onde parou. Em outro aparelho, ou se você limpar os dados do navegador, os números somem. Para avaliar se uma campanha de anúncios se paga com esse preço, use a Calculadora de Viabilidade.
Aviso
Os resultados são estimativas feitas com os números que você informa e não substituem a orientação de um contador. Regras de imposto mudam e dependem do enquadramento da sua empresa. Use o simulador para entender a lógica do seu preço e confirme a parte fiscal com um profissional.
Quem fez
As ferramentas são gratuitas e feitas pela Unum People, que cria páginas com WhatsApp e CRM para profissionais autônomos e pequenos negócios. Não é preciso cadastro para usar, e os números que você digita não saem do seu navegador. As contas são exatamente as descritas neste guia, então dá para conferir qualquer resultado à mão.

